2024-12-08 –, Sala I Language: Português brasileiro
Na região do médio Solimões, Amazônia central brasileira, é vivenciado dois períodos sazonais, um de seca e um de cheia do Rio Solimões. Por ser um ambiente dinâmico, as paisagens naturais mudam de acordo com o período, desencadeando fenômenos como a erosão fluvial, localmente denominados pelos ribeirinhos de “terras caídas”. Os fatores que que influenciam nesse processo são diversos, como a infiltração de água no solo, correntezas fortes do rio entre outros. Esses elementos contribuem para eventos que inicia lento até um eventual desabamento de terras em nível catastrófico (IGREJA, CARVALHO e FRANZINELLI, 2010, p.135). Esse fenômeno é comum na região, o que tem trazido impactos para a vida ribeirinha, transformando o ambiente das comunidades, causando diversas mudanças no cotidiano dos moradores, levando muitas vezes a migração. O objetivo dessa pesquisa foi analisar através de imagens de satélite temporais os principais eventos de terras caídas nos últimos anos e os impactos socioambientais para os ribeirinhos. A pesquisa foi desenvolvida na comunidade de São Luis do Macari, localizada na margem direita do Rio Solimões, município de Tefé, Estado do Amazonas. A metodologia baseou-se na revisão bibliográfica, levantamento de imagens de satélites, pesquisa a campo com registro fotográficos por aeronave remotamente pilotada (ARP), máquina fotográfica e celular, aquisição de pontos e trilhas com receptor do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS). A partir dos dados coletados e analisados foi possível obter dados quantitativos e qualitativos sobre a perda de áreas processos erosivos fluviais, demostrando que as terras caídas é um problema grave que coloca diversas populações ribeirinhas em risco e vulnerabilidade. Ressaltando que esse fenômeno causa perdas de plantações, de território e migração de um local para o outro, perda estrutural como de escola, posto de saúde e que são necessárias ações de monitoramento constante, além do mapeamento e disponibilização dos dados em plataformas abertas como o OpenStreetMap.
Graduada em Licenciatura em Geografia, Especialista em Geografia Aplicada a Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas
Atualmente pesquisadora do Instituto Mamirauá
Professor do Curso de Geografia do Centro de Estudos Superiores de Tefé (CEST) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Coordenador do Laboratório de Geotecnologias e Dinâmica da Paisagem (GEODIP)